Perdão

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Outro dia, eu tentei explicar o perdão para meu filho de 6 anos de idade. Seu irmão mais novo de 3 anos estava especialmente travesso, o que provocou a sua raiva. Foi um processo interessante que todos experimentaram. Desde então, converso sobre perdão com os dois juntos quando estão tranquilos, calmos e concentrados.

Conversamos sobre como ao ficar com raiva de alguém realmente nos faz sentirmos péssimos. Considere apenas o que a raiva faz conosco fisiologicamente. As glândulas supra-renais entram diretamente no modo de luta ou fuga, inundando o corpo com adrenalina e cortisol, nossos hormônios do estresse; o cérebro responde redirecionando o sangue do intestino para os músculos que se tornam tensos; aumenta a frequência cardíaca, pressão arterial, respiração e temperatura corporal; e a atenção diminui e fica presa no alvo da raiva. Não é uma sensação agradável de ter ou receber.

No Bhagavad Gita, Krishna diz que quando você fica com raiva, perde a inteligência e não consegue mais discernir a situação, não consegue mais dizer o que é certo e o que é errado. Perder essa percepção é extremamente perigoso e pode dificultar a progressão da sua alma.

Então eu perguntei aos meninos, 'o que são bons sentimentos?' Ambos concordaram que o amor é o melhor. Essencialmente, perdoar é substituir esta raiva por Amor. É realmente muito simples. Perdoar é tão simples, mas achamos incrivelmente difícil. Tudo se resume à mente.

Ao não perdoar, a mente pensa que está no comando, que está no controle, como se, de alguma forma, esse sentimento de rancor, ressentimento ou raiva contra alguém nos desse mais poder e persistisse na situação. Contudo, esta citação budista nos mostra a realidade da situação:

“Manter a raiva é como agarrar um carvão quente com a intenção de jogá-lo em outra pessoa; quem se queima é você."

Perdoar é imperativo, porque quando você perdoa você se sente livre, não há mais esse fardo que pesa, mas com o perdão é preciso esquecer também.

Em um Satsang sobre perdoar Paramahamsa Vishwananda disse que 'perdão sem esquecer não é perdoar'. Ele explicou que a razão para isso é porque o rancor que você tem dentro sempre será lembrado. Mas quando você realmente perdoa, o verdadeiro Amor estará lá. Quando você não perdoa por causa da mágoa, ou porque machucou alguém, você desenvolve karma com essa pessoa. A melhor coisa a fazer é perdoar e seguir em frente, caso contrário você terá uma certa dívida com essa pessoa, fazendo com que você precise voltar novamente em outra vida para lidar com este problema. Perdoar reduz o efeito kármico e a melhor maneira de perdoar é direcioná-lo para esta pessoa.

Uma vez que a confiança é quebrada, sempre haverá uma marca, uma mancha ou um profundo sentimento de peso impedindo-o até que você realmente perdoe de coração. Infelizmente, a mente tem essa atração mórbida pela negatividade, por isso evoca razões pelas quais o perdão não é apropriado e inventa razões para manter esse rancor, essa mágoa, essa dor, essa raiva, esse poder ilusório que possamos ter sobre a pessoa. Podemos pensar que a outra pessoa culpada não é digna de perdão, mas, na realidade, esse pensamento tolo é a mente que nos impede de evoluir e de sermos verdadeiramente felizes. Uma vez que nos conectamos com o coração, saberemos verdadeiramente que o único caminho a seguir é perdoar; caso contrário, a mesma situação se repetirá.

No que diz respeito a pedir perdão, comece por perdoar a si mesmo. Se você machucou alguém com palavras ou pensamentos, primeiro perdoe a si mesmo por isso. O arrependimento é um passo em direção ao perdão. A partir daí, é fácil perdoar a si mesmo ou pedir perdão a outra pessoa.

Em outro Satsang sobre perdão, Paramahamsa Vishwananda explicou que, para perdoar alguém, você deve perdoar a si mesmo. Ou seja, perdoe seu papel na história, perdoe sua negatividade e, em seguida, você achará fácil perdoar os outros. Ele terminou dizendo que somos nós que causamos nossa própria miséria e, na verdade, ninguém pode nos afetar da maneira que achamos que pode. Precisamos chegar a um acordo e resolver nossos próprios sentimentos, a partir daí o perdão fluirá naturalmente.


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